No coração da Chapada Diamantina, o município de Wagner guarda uma origem rara no Brasil: nasceu a partir de um projeto educacional criado por missionários presbiterianos norte-americanos no início do século XX. O novo episódio do Boa Sorte Viajante, apresentado por Matheus Boa Sorte, mergulha na história do Instituto Ponte Nova, fundado em 1906, que transformou completamente a região ao oferecer escola, hospital e estrutura social em pleno sertão baiano. A reportagem revela como a cidade cresceu ao redor da educação e preserva até hoje marcas profundas dessa influência americana na cultura e no cotidiano local.

Vista aérea da cidade de Wagner, na Chapada Diamantina

Entre os principais pontos turísticos apresentados está a Pedra do Chapéu, formação rochosa que abriga pinturas rupestres preservadas em meio à caatinga. Após uma caminhada de cerca de cinco quilômetros, Matheus Boa Sorte mostra painéis arqueológicos que seguem intrigando pesquisadores e visitantes, além de paisagens privilegiadas da Chapada Diamantina, com vista para formações como o Morro do Pai Inácio e a Pedra do Camelo. Outro fenômeno que chama atenção no episódio são os murundus, montículos formados por cupins ao longo de milhares de anos, que criam um dos cenários mais curiosos do semiárido brasileiro e impressionam pela dimensão vista do alto.

Durante o episódio também é destacado a força da agricultura em Wagner, especialmente o cultivo de banana, principal atividade econômica do município. Personagens como Romero Francisco e Mário dos Santos Oliveira ajudam a contar como a produção agrícola transformou a vida de centenas de famílias da região. Seu Mário emociona ao relatar que foi graças à banana que conseguiu pagar a faculdade do filho, comprar casa e conquistar estabilidade financeira. O programa ainda acompanha o trabalho de pequenos produtores que defendem maior industrialização da fruta para ampliar a geração de emprego e renda no município.

No distrito de Cachoeirinha, o episódio encontra personagens que preservam a memória e as tradições locais. Moradores como Mateus Graham e Seu Joaquim compartilham histórias sobre as transformações da comunidade ao longo das décadas, enquanto Dona Valdira Maria Santos abre as portas de sua casa para preparar o tradicional godó de banana, prato típico da Chapada Diamantina. A culinária sertaneja, o artesanato com fibra de bananeira e a produção artesanal de rapadura no povoado Pé da Serra completam o retrato de uma cidade onde memória, trabalho e cultura seguem caminhando lado a lado.